Crime aconteceu em dezembro de 2018 e até agora não há punição dos suspeitos da cruel morte do desenhista, tatuador, ativista pela paz e rasta de 31 anos
Uma brutal execução que mais parece cenas de filmes de faroeste ocorrida há pouco mais de 4 anos mobiliza moradores de Tucano, no Nordeste baiano a 260 km de Salvador, ainda a espera de decisão da Justiça para punir os assassinos.
Neste domingo, 12, a partir das 15h, vai ser realizada pela família e amigos, mais uma “Caminhada da Paz”, criada por Pedro Henrique para combater a perseguição de que era vítima.
O evento sai do Alto do Cruz, no bairro do Cruzeiro, indo até a Igreja Matriz de Tucano, num percurso de aproximadamente 2,5 km de extensão.
Pedro Henrique Santos Cruz, 31 anos, um dos 3 filhos de Aguiar com a incansável D. Ana Maria, foi morto com vários tiros por três homens encapuzados em 27 de dezembro de 2018 dentro de casa, que foi invadida pelos bandidos depois de obrigarem o pai, que mora próximo, a os levarem até a morada do filho.
De lá para cá, a mãe, mantém viva a esperança de ver os criminosos punidos, mas a luta enfrenta resistências nos órgãos de segurança do Estado da Bahia, pois envolveria policiais militares que, segundo a família e amigos, perseguiam Pedro Henrique por ser rasta e usuário de maconha, que defendia a liberação.
Em vários episódios, o desenhista, tatuador e ativista, considerado homem de bem que defendia a liberdade, foi detido e acusado de tráfico de drogas, mas absolvido.
Ele teve casa invadida pelos policiais em buscar de provas de tráfico de maconha, mas tudo foi anulado pela Justiça por falta de mandado, o que é do direito brasileiro e internacional.
Pedro Henrique fez denúncias no MP e na Polícia Civil de Tucano contra os PMs.
O pai afirma não ter mais medo de nada: “mataram meu filho; vou ter medo do quê?. Não dá para esquecer a covardia”.
A mãe, que hoje responde processos nas áreas civil e criminal por postagens contra suspeitos da morte do filho, não tem dúvidas de quem o executou: “mesmo sem ver sei quem perseguia meu filho e é responsável pela morte dele”.
O inquérito que apura o assassinato de Pedro foi digitalizado no fim de 2021. De lá para cá, foram poucas as movimentações, além de pouco detalhamento sobre algumas dessas diligências. Determinadas ainda em agosto do ano de 2021, essas diligências envolviam a apuração do envolvimento de um terceiro PM, que foi reconhecido presencialmente pela namorada de Pedro, única testemunha do crime. A pedido do MP, a Justiça, que já tinha determinado a quebra do sigilo dos celulares de Sidiney, estendeu a medida aos números de Bruno e desse terceiro soldado. Contudo, nenhum relatório sobre o resultado dessas interceptações teria sido incluído no inquérito.
Defensoria entra no caso
Diante da repercussão do caso, a defensora pública Valéria Teixeira, acompanha os desdobramentos das investigações da execução do ativista social. Ele tinha uma postura crítica em relação à conduta de alguns policiais. “Não eram todos, mas alguns policiais militares de Tucano. Pedro denunciou várias vezes ao Ministério Público, isso não é uma opinião, é um fato”, destacou. Segundo a defensora, a taxa de resolução dos casos de homicídio, que no Brasil não passa de 8%, é um grande dificultador.
A DPE (Defensoria Pública do Estado da Bahia) dá assistência à família da vítima e acompanha de perto o caso. Atualmente, pelo menos cinco processos movidos por quatro PM’s – todos assessorados pelo mesmo escritório de advocacia – pedem a prisão e o pagamento de indenizações contra Ana Maria (dona Ana). Somados, os valores indenizatórios chegam a R$ 70 mil reais. Os processos tramitam nas comarcas de Salvador, Tucano e Euclides da Cunha.
NR.: Sejam quem forem os responsáveis devem ser punidos conforme a Lei. A Justiça baiana precisa apagar a imagem que tem sendo considerada uma das piores do Brasil, além de estarmos no Século XXI não no tempo do cangaço.
Este estado somente será uma área desenvolvida quando todos forem iguais e paguem pelos erros que cometeram conforme a Lei.
Chega de impunidade.
A Operação Faroeste macula a imagem da Bahia.
Com a palavra o Tribunal de Justiça.
Yancey Cerqueira
Radialista / DRT 06





