A ministra Maria Elizabeth Rocha, primeira mulher a presidir o STM (Superior Tribunal Militar), disse que as indicações do presidente Lula (PT) ao Poder Judiciário têm sido uma decepção por não aumentarem a representatividade feminina nos tribunais.
“É extremamente frustrante, triste e decepcionante, porque o presidente Lula não tem entregado a nós, mulheres, aquilo que ele prometeu”, declarou Rocha a O Globo. “E isso está sendo fruto de muita decepção entre a magistratura feminina“, disse ela.
A ministra afirmou que há um ressentimento entre as magistradas. “Vamos ver como será agora com as próximas indicações para o STJ. Tudo que se comenta é que serão homens, mas tomara que ele nos surpreenda“, afirmou Maria Elizabeth Rocha.
“Nós pensamos que estamos dentro, mas não estamos na verdade. É uma falsa percepção da realidade”.
“Eu procuro defender a voz das minorias, mas não só das mulheres, já que eu sou a única do meu gênero (no STM), eu procuro defender a voz de todas as pessoas que são excluídas em uma sociedade que ainda é uma sociedade de homens, brancos, heterossexuais e de classe média. O Judiciário é composto majoritariamente por esse formato de magistrados”.
Nós pensamos que estamos dentro, mas não estamos na verdade. É uma falsa percepção da realidade.
Lula nomeou dois homens para o STF, no terceiro mandato como presidente. Atualmente, só há uma mulher na mais alta corte do país, a ministra Cármen Lúcia, desde a aposentadoria de Rosa Weber, em setembro de 2023 —o presidente apontou o ministro Flávio Dino para substituí-la. Antes, Cristiano Zanin entrou no lugar de Ricardo Lewandowski.
Há duas cadeiras vagas no STJ (Superior Tribunal de Justiça). A colunista do UOL Carolina Brígido apurou que o presidente Lula deve nomear os novos ministros em fevereiro, quando terminar o recesso do Judiciário e do Congresso Nacional. Atualmente, os favoritos para a indicação são o desembargador Carlos Brandão, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), e a procuradora alagoana Maria Marluce.
Maria Elizabeth foi nomeada ao STM por Lula em 2007. Todas as indicações à Corte, composta parte por militares, parte por civis, devem ser aprovadas pelo presidente da República e pelo Senado.
Fonte: Uol





