A sessão de terça-feira, 11/11, na Câmara Municipal de São Francisco do Conde, na RMS (Região Metropolitana de Salvador), foi marcada por tensão e coragem. A vereadora Lígia Santa Rosa denunciou que recebeu ameaças de morte depois de iniciar a coleta de assinaturas para a abertura da CPI dos Medicamentos, que pretende investigar supostos desvios e irregularidades na Secretaria de Saúde, comandada atualmente pela vereadora licenciada e secretária Greice Tanferi. A gestão de Antônio Calmon é alvo de paralisações, protestos e crise administrativa. Segundo Lígia, as ameaças foram enviadas por mensagens telefônicas do número (71) 98237-1659, acompanhadas de uma foto dela e do advogado e marido Allan Abbehusen com a frase, logo após ler o requerimento na sessão. “Vocês vão morrer. Isso não vai ficar barato. “Isso é grave e sério, isso não é política”.
“O lugar desse povo é na cadeia”. Ela disse ainda que não irá se calar nem se intimidar. “Não tenho medo. Sou uma mulher forte. Se mandaram isso para me desestabilizar, isso não vai funcionar”. A vereadora e marido informaram que vão acionar a SSP (Secretaria de Segurança Pública da Bahia) para registrar queixa formal sobre a ameaça, investigação e e solicitar proteção policial.
O vereador Rafael Nogueira prestou solidariedade a Lígia e fez um discurso emocionado. “Isso é o preço que nós pagamos pela coragem. Não mude sua rota, vão tentar te desonrar, mas siga firme.” Durante o debate, o vereador Nem do Caípe tentou afirmar que também já havia sido ameaçado, mas foi vaiado pelo público presente. Diante das vaias, reagiu com irritação: “Podem vaiar, vocês são os mesmos de sempre.” A fala de Lígia encerrou a discussão com aplausos de parte da plateia e reforçou o clima de alerta e indignação sobre o caso.
A CPI dos Medicamentos
Antes da sessão, Ligia esteve colhendo assinaturas para a criação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Medicamentos. A proposta visa investigar falhas na transparência e na gestão dos estoques de medicamentos e vacinas na rede municipal. O requerimento foi encaminhado aos gabinetes dos vereadores para coleta de assinaturas.
Assim que atingir o mínimo de cinco votos, a CPI será formalmente instalada. “O objetivo é que se investigue, para que não seja tirada a competência do Poder Legislativo. O que nos rege é a Lei Orgânica e o Regimento Interno. Assim que tivermos cinco assinaturas, poderemos implantar a CPI. Peço aos colegas que não se acovardem”.
O documento cita falhas no Portal da Transparência e ausência de dados sobre distribuição de medicamentos. Caso aprovada, a CPI terá prazo inicial de 90 dias, prorrogáveis, podendo convocar servidores, requisitar documentos e ouvir depoimentos.
Fonte: Jornal Candeias





