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Ovos, frango e carne de porco podem ficar mais caros

by Yancey Cerqueira
28 de março de 2026
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Conflito entre Estados Unidos e Irã já pressiona a cadeia produtiva de proteínas animais

O consumidor brasileiro pode começar a sentir no bolso, já nos próximos dias, o aumento nos preços de ovos, frango e carne de porco, diante da alta nos custos de produção e transporte causada pela tensão no Oriente Médio, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

O conflito entre Estados Unidos e Irã já provocou alta do diesel, encarecendo em até 20% os fretes rodoviários para o setor – incluindo desde o transporte de insumos até a distribuição do produto no mercado interno.

“Frente a este quadro, é possível que ocorram nos próximos dias repasses aos preços para o consumidor tanto de ovos, como de carne de frango e carne suína”, alertou a ABPA em nota divulgada nesta semana.

Na quinta-feira, 26, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou a prévia da inflação de março e, no grupo alimentos, o ovo de galinha teve uma das maiores altas do mês (7,54%). Já a carne de porco registrou queda de 2,28%. O frango inteiro caiu 1,72%; o em pedaços teve uma leve alta de 0,01%.

No caso da alta do ovo, que teve uma alta expressiva, parte pode ser explicada pela demanda na Quaresma, tradição católica que pede substitutos para a carne vermelha, não consumida especialmente durante a Sexta-Feira Santa, que ocorre no próximo dia 3.

“Na Quaresma algumas pessoas cortam integralmente o consumo  de carne vermelha, outras só reduzem o consumo e isso já impulsiona o consumo e o preço do ovo”, explica André Braz, economista do IBGE.

Além da Quaresma, no caso dos ovos, há um outro fator: nesta época do ano, as aves passam por um período de adaptação à mudança de estação, o que reduz a oferta.

“Você tem uma demanda mais forte conjugada com uma oferta menor, o que impulsiona o preço do ovo”, acrescenta André Braz.

No caso do frango e da carne de porco, a alta está relacionada ao aumento no preço da carne bovina por causa do chamado ciclo pecuário, quando a redução do rebanho, após o abate de fêmeas reprodutoras, diminui a oferta e pressiona os preços.

Com a carne bovina mais cara, ocorre um efeito de substituição: os consumidores migram para frango e suínos, elevando a demanda e, consequentemente, os preços dessas proteínas.

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes disse que o setor se encontra em um dos momentos mais delicados dos últimos dois anos.

“Os impactos do conflito no Oriente Médio já são percebidos no agronegócio brasileiro e o suinocultor deve ficar atento aos movimentos especulativos comuns nesse ambiente de incertezas”, alertou Marcelo Lopes.

No caso de frangos e suínos, criados em confinamento, a alimentação baseada em milho e soja pode ficar mais cara com a alta do frete internacional e possíveis impactos logísticos em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz.

“O preço e o custo são definidos por inúmeros fatores, mas sempre o principal deles é o equilíbrio entre oferta e procura”, concluiu Marcelo Lopes.

Fonte: Terra

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