Ao explicar a necessidade de investigação de Zema pelo vídeo, Gilmar fez menção a um exemplo de algo a que, segundo ele, Zema não aceitaria ser relacionado
O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), reconheceu que errou ao citar homossexualidade como uma possível “acusação injuriosa” contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). Em entrevista ao Metrópoles, o decano do Supremo se defendeu pelas críticas por pedir a inclusão de Zema no inquérito das fake news, chamado pela oposição de “inquérito do fim do mundo”, que já se arrasta há sete anos.
No mês passado, o pré-candidato à Presidência pelo Novo publicou um vídeo em que os ministros do STF são representados por fantoches — Dias Toffoli pede que o boneco de Gilmar suspenda a quebra de seus sigilos, determinada pela CPI do Crime Organizado; em troca da anulação, o personagem de Gilmar pede “uma cortesia” no resort Tayayá, que já teve irmãos de Toffoli como donos e está envolvido nas investigações ligadas ao escândalo do Banco Master.
Ao explicar a necessidade de investigação de Zema pelo vídeo, Gilmar fez menção a um exemplo de algo a que, segundo ele, Zema não aceitaria ser relacionado.
“Imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo?”, disse o magistrado ao Metrópoles. Pelo X, horas depois, Gilmar pediu desculpas pelo erro. “Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema”, escreveu Gilmar Mendes. “Desculpo-me pelo erro. E reitero o que está certo”.
Na postagem, o decano do STF voltou a dizer que há “uma indústria de difamação e de acusações caluniosas contra o Supremo” e prometeu “enfrentá-la”. O ministro destacou não ter “receio” de reconhecer um erro.
Após a entrevista, pelas redes sociais, Zema criticou o ministro do STF pela fala, que considerou preconceituosa.
“Gilmar, estou achando isso uma vergonha. Você pode mandar fazer um boneco meu de homossexual, de ladrão ou do que bem entender. Pode me satirizar à vontade. O que você não pode fazer é comparar homossexual com ladrão. Sério que você acha que é a mesma coisa chamar alguém de homossexual ou de ladrão? Aí você mostrou o seu mais puro preconceito para o Brasil“, escreveu.
Gilmar afirmou ser importante manter as investigações do inquérito das fake news “pelo menos até as eleições”, em meio ao que considerou serem ataques contra a Corte. Parlamentares da oposição na Câmara dos Deputados passaram a articular um novo pedido de impeachment do magistrado depois do pedido de inclusão de Zema no procedimento.



