Autoridade monetária decide, por unanimidade, reduzir a taxa Selic em mais 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano, e piora as projeções para a inflação
Em uma decisão mais demorada do que o habitual, o Banco Central decidiu, nesta quarta-feira, 17/06, reduzir a taxa Selic (básica da economia) em 14,25% ao ano. Foi o terceiro corte consecutivo no ciclo de afrouxamento monetário iniciado em março. Mas uma das mais altas nos últimos 20 anos agora sob mandato de Gabriel Galípolo, indicado por Lula da Silva, que criticava todos os dias na gestão Campos Neto, indicação de Jair Bolsonaro.
A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) foi unânime, contudo, no comunicado, o colegiado reforçou a preocupação com a escalada das pressões inflacionárias que fizeram o BC piorar as projeções para o indicador da inflação oficial em relação à reunião anterior, de abril. As estimativas para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deste ano e do quatro trimestre de 2027, o chamado horizonte relevante monitorado pelo Copom, passaram de 4,6% e de 3,5%, para 5,2% e 3,7%, respectivamente.
No comunicado, o Copom não sinalizou ainda se pretende interromper o atual ciclo de corte de juros. “Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informou a nota.
O colegiado ainda admitiu que a condução da política monetária exige cautela diante da conjuntura doméstica e externa. “No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, acrescentou o documento.
A preocupação com a escalada dos preços está em linha com a do Fed (Federal Reserve) banco central norte-americano, que manteve os juros no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano, nesta quarta-feira, e ainda sinalizou que pode voltar a aumentar os juros para tentar conter a alta de preços na maior economia do planeta. Vale lembrar que, em maio, o IPCA ultrapassou o teto da meta, de 4,50%, no acumulado em 12 meses e atingiu 4,72%.
Fonte: Correio Braziliense



