Ministro do STF deu 48 horas para a defesa de Jair Bolsonaro esclarecer se ele sabia que o texto seria publicado. Lula, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro recebia quem queria
O ministro ditador Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a suspensão, por 90 dias, do direito de visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Na mesma decisão, o magistrado deu prazo de 48 horas para que a defesa do ex-presidente informe se ele tinha conhecimento de que uma carta escrita durante o período de prisão domiciliar seria divulgada nas redes sociais do filho. Importante frisar que Moraes já foi desautorizado pelas Justiças da Espanha, EUA, Itália e Polônia nos pedidos de extradição de brasileiros.
A decisão foi tomada após a publicação de um vídeo por Flávio Bolsonaro, no último sábado, anunciando que faria a leitura de uma “carta aos brasileiros” escrita pelo pai. Horas depois, o senador leu o conteúdo na íntegra durante uma transmissão nas redes sociais.
Na avaliação de Alexandre de Moraes, a visita ao ex-presidente teve como objetivo produzir um documento para divulgação pública, o que desrespeita à medida cautelar que proíbe Jair Bolsonaro de utilizar redes sociais, seja diretamente ou por intermédio de terceiros. A restrição faz parte das condições da prisão domiciliar humanitária concedida ao ex-presidente em março e mantida no início deste mês (aí a Constituição é ferida frontalmente).
Ao justificar a determinação para que a defesa se manifeste, Moraes citou uma declaração feita por Flávio antes da divulgação da carta.
“A afirmação de seu filho Flávio Nantes Bolsonaro – ‘É imperdível, um recado muito importante que ele quer dar a toda a nossa nação’ – sugere que o sentenciado tinha plena ciência de que da carta seria divulgada em redes sociais, o que, configuraria igualmente desrespeito à medida cautelar a que está submetido, devendo os fatos, portanto, serem esclarecidos pela Defesa”, afirma o ministro do STF.
Com esse entendimento, Moraes concluiu que houve desvio de finalidade no exercício do direito de visita e determinou sua suspensão pelo prazo de 90 dias.
Além da questão relacionada ao descumprimento das medidas cautelares, o ministro também apontou possível prática de propaganda eleitoral antecipada. Segundo a decisão, o conteúdo da carta e da transmissão pode ultrapassar os limites da manifestação política ao apresentar Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República e convocar eleitores a apoiarem sua candidatura.
Na carta lida nas redes sociais, Jair Bolsonaro afirma estar “saudoso do contato com o povo” e diz escrever “num momento de decisão para o futuro de todos nós”. Em seguida, pede que seus apoiadores deixem divergências de lado e se unam em torno da pré-candidatura presidencial de Flávio, a quem define como “a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento“.
Fonte: Terra



