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Escritório da família Moraes deu parecer ao Master para empréstimo a aposentados

by Yancey Cerqueira
14 de julho de 2026
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EUA aplicam Lei Magnitsky contra mulher e instituto de família de Moraes

Parecer do escritório Barci de Moraes apontava que o Master estava apto a captar recursos de RPPS, mas alertava para riscos de corrupção

O Banco Master, no período que já enfrentava crise de credibilidade no mercado, recorreu ao escritório de advocacia Barci de Moraes, da família do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, para consulta sobre os riscos envolvendo a captação de dinheiro por meio de RPPS (Regimes Próprios de Previdência Social), os fundos previdenciários de servidores de estados e prefeituras.

Um parecer assinado em julho de 2024 por três advogadas da banca da família Moraes, entre elas uma filha e uma cunhada do ministro, afirmava que o banco de Daniel Vocaro estava “apto para captar recursos de RPPS”, mas alertava para os riscos de corrupção e conflito de interesse nas operações. O documento foi obtido com exclusividade pelo Metrópoles.

Nos últimos meses, a PF (Polícia Federal) deflagrou ao menos quatro grandes operações mirando aplicações suspeitas de RPPS em letras financeiras e fundos de investimento do Banco Master. A maior delas envolveu aportes de R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência — nessa operação, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços do ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL).

Procurados pelo Metrópoles, tanto o escritório Barci de Moraes quanto o ministro do STF não comentaram o assunto.

Entenda o caso

A consulta ao escritório Barci de Moraes foi feita pelo então superintendente de compliance do Master, Fabio de Souza Castanheira, quando o banco já enfrentava crise de credibilidade que podia afetar seus esforços para captação de valores via RPPS.

Na ocasião, a Caixa Econômica Federal havia detectado papéis atípicos e de alto risco no banco, vetando a compra de R$ 500 milhões em letras financeiras da instituição.

O parecer foi um dos serviços prestados ao Master pelo escritório comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF, que firmou contrato de R$ 129 milhões com o banco de Vorcaro em fevereiro de 2024.

Ao todo, o Master declarou ter pago R$ 80,2 milhões ao escritório da família Moraes, em 22 parcelas mensais de R$ 3,6 milhões pagas entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, quando a instituição financeira sofreu intervenção do Banco Central (BC).

A consulta ao escritório da esposa do ministro aconteceu quando o Master já tinha feito credenciamento para receber recursos das previdências do Rio de Janeiro (Rioprevidência) e dos municípios de Cajamar (SP) e Maceió (AL), e em meio a contatos com as cidades de Campo Grande (MS), Paulista (SP) e Osasco (SP).

Fonte: Metrópoles

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