Órgão afirma que unidade médica não tinha alvará sanitário para funcionar com centro cirúrgico
O centro cirúrgico do Hospital Vida, em Ilhéus, no Sul baiano, onde a empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, morreu após ser submetida a quatro procedimentos estéticos, foi interditado cautelarmente pela Sesab (Secretaria da Saúde do Estado da Bahia) na quinta-feira, 27/8.
A medida ocorreu depois da constatação de que o espaço não possuía alvará sanitário para funcionar como centro cirúrgico. A própria Sesab confirmou a situação. Em resposta ao A Tarde a Secretaria informou: “o hospital não tem alvará sanitário para funcionamento de centro cirúrgico”.
A informação também foi confirmada pelo advogado da família da empresária, Néry Santana, após uma reunião com o coordenador-geral do Núcleo Regional de Saúde Sul, Danilo Souza Amorim.
“[hospital] Assumiu o risco, responde objetivamente igual a equipe médica. Inclusive, o remodelamento não é permitido pelo CFM decreto 07/2025. Fica comprovado que foi por negligência médica“, afirmou Santana.
Segundo o advogado da família, Néry Santana, a sala onde foram realizados os procedimentos de Adriele teria sido alugada pelo médico Rossini Tebaldi Ruback.
A reportagem não conseguiu localizar o responsável pela administração do espaço para confirmar a informação, nem obteve, até a publicação, um posicionamento do Hospital Vida, nem do médico sobre a utilização da sala e as condições de funcionamento do centro cirúrgico.
Investigação policial
Em conversa com o A Tarde, nesta quinta-feira, o delegado Luiz Henrique Machado de Paula, da 1ª DT (Delegacia Territorial), de Ilhéus, e responsável pelo caso, informou que a investigação está em andamento e que, antes de qualquer afirmação sobre responsabilidades, é necessário reunir a documentação médica e administrativa.
“Estamos aguardando as documentações médicas e administrativas, até ter os documentos em mãos não posso fazer nenhuma afirmação. Já oficiamos requisitando o prontuário médico e os órgãos de fiscalização. Aguardamos o laudo da necropsia, que deve ser entregue hoje ou amanhã. E vamos ouvir as pessoas. Também solicitamos dados sobre os outros fatos anteriores que envolveram o médico“, explicou ele.
Ao ser questionado se tinha conhecimento de outras vítimas fatais, o delegado revelou já ter solicitado informações sobre outros fatos anteriores relacionados ao médico Rossini Tebaldi Ruback, responsável pelos procedimentos realizados em Adriele.
“Nossa investigação é sobre a morte da empresária. Existem informações de outros fatos, ocorridos em anos anteriores e em Itabuna. Estamos confirmando quais são“, finalizou o delegado.
Enterro é marcado por revolta e pedidos de justiça
A empresária foi sepultada na manhã desta quinta-feira, 27, no Cemitério Municipal de Ituberá. O momento de despedida foi marcado por forte comoção e revolta.
Familiares e amigos acompanharam o cortejo pelas ruas do município carregando cartazes e fazendo pedidos de justiça.
Morte ocorreu após quatro procedimentos
Adriele morreu na madrugada de quarta-feira, 26, depois de passar por mastopexia com prótese, lipoescultura, remodelamento costal e aplicação de jato de plasma.
Segundo o advogado da família, a empresária chegou ao hospital pela manhã e foi internada no centro cirúrgico para a realização dos procedimentos.
A previsão inicial era de que a cirurgia terminasse às 18h. O horário passou e os familiares não recebiam informações sobre o estado da paciente. A previsão teria sido alterada para 20h e depois para 21h.
Ainda conforme Néry Santana, até a meia-noite a família ainda buscava informações sobre o que havia acontecido. Depois, os familiares foram comunicados de que Adriele havia morrido.
Fonte: A Tarde



