Entidade que representa a indústria prevê superavit do governo no ano, apesar de as contas públicas, no geral, ficarem “no vermelho”
O governo federal deve atingir o superavit primário em 2026, conforme previsto na meta fiscal para o ano, segundo projeção da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que aponta para um resultado positivo de R$ 12,6 bilhões (ou 0,1% do PIB). No entanto, a entidade ressalta que, se fossem incluídos precatórios e outras despesas não computadas no arcabouço fiscal, o resultado seria um déficit primário de R$ 54,6 bilhões.
Nesse contexto, a CNI avalia que a expectativa para as contas públicas é “muito ruim”, considerando o resultado real projetado. “Nós devemos ter, novamente, déficit primário, quando a gente vê o deficit real, sem fazer exclusões para fins de cumprimento da meta. Esse déficit, com uma taxa de juros muito elevada, deve fazer com que a dívida bruta suba mais de 5 pontos percentuais do PIB em apenas um ano, passando de 78,6% para 83,7%”, avalia Mario Sergio Telles, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI.
Ainda de acordo com as projeções divulgadas nesta quarta-feira, 28/10, no Informe Conjuntural do terceiro trimestre, as despesas federais devem crescer 4,6% em termos reais, ou seja, acima da inflação. A projeção considera o aumento dos pagamentos de benefícios previdenciários, dos gastos com pessoal e da execução de despesas discricionárias durante o período eleitoral.
Por outro lado, a receita líquida deve aumentar 5,9%, como reflexo da redução de incentivos fiscais, da limitação ao aproveitamento de créditos tributários e das receitas ligadas ao petróleo. No mercado de trabalho, a CNI prevê que a taxa de desemprego recue para 5% até o fim do ano, com crescimento de 1,2% da população ocupada.
Fonte: Correio Braziliense



