A diretoria da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou hoje, 28/1, a venda de autotestes de covid-19 no Brasil. Em reunião deliberativa realizada por videoconferência, o colegiado aprovou, por unanimidade, a comercialização do produto em redes de farmácias pelo país. Foram, no total, 4 votos.
Na visão da relatora, Cristiane Rose Jourdan, os autotestes “podem sim, representar excelente estratégia de triagem e medida adicional no controle da pandemia“. “Principalmente neste momento que o contágio pela doença é grande e muitas pessoas não conseguem ter acesso pelo SUS [Sistema Único de Saúde] e pela rede privada“, completou ela. Acompanharam o voto da relatora os diretores Rômison Rodrigues Mota, Alex Machado e Meiruze Sousa Freitas. O resultado é definido por maioria simples.
O assunto começou a ser discutido na semana passada, mas a entidade regulatória decidiu pedir informações adicionais ao Ministério da Saúde sobre o uso do produto no país. Por esse motivo, a deliberação foi adiada.
Com o envio dos dados pela pasta na última terça-feira, 25, a cúpula da agência concluiu então que não há obstáculos que impossibilitem a comercialização dos autotestes.
Já utilizados nos Estados Unidos e na Europa, os autotestes são manuseados pelo próprio paciente, que coleta o material e chega ao resultado do exame conforme as instruções do fabricante.
A relatora destacou que o produto tem sido utilizado com eficácia na Alemanha, com distribuição de kits nas escolas, no Reino Unido, com distribuição gratuita, e nos Estados Unidos, com um amplo programa de testagem implementado desde setembro do ano passado.
Em tese, os autotestes poderiam ser tanto comprados em farmácias como distribuídos pelo SUS. Na proposta enviada à Anvisa, no entanto, o governo prevê apenas a venda nas drogarias, sem fazer qualquer menção à oferta do produto na rede pública.
Segundo o documento, o paciente deve procurar atendimento médico caso teste positivo.
Porém, antes da decisão sobre a liberação hoje, a Anvisa proibiu e determinou o recolhimento de duas marcas de autoteste que já estavam sendo vendidas irregularmente, sem registro. A agência ressaltou que não existe, até o momento, “nenhum produto aprovado pela Anvisa como autoteste, ou seja, para uso por usuários leigos“.
Em outros países
O autoteste já tem sido usado pelo mundo em locais como a Europa e os Estados Unidos. A esperança de diferentes governos europeus é de que os autotesde de covid realizados pela própria pessoa desafoguem o sistema de saúde e centros clínicos, muitos dos quais passaram a ser tomados por filas de horas para que as pessoas possam ser avaliadas.
Na Inglaterra, por exemplo, os moradores podem retirar autotestes gratuitamente em diferentes locais. O governo disponibiliza um manual de uso com orientações para diferentes situações. Uma pessoa que tem contato com alguém que testou positivo, por exemplo, pode receber um kit com sete testes para fazer em casa ao longo de uma semana.
Nos Estados Unidos, quem é morador ou está a passeio pode encontrar o produto em qualquer farmácia. Na Alemanha, o autoteste passou a ser alvo de uma intensa busca já a partir do mês de novembro. Corridas pelo produto também foram verificadas na Espanha e na França.





