De acordo com o CIB, que regula a distribuição de vacinas na Bahia, o município precisa ter aplicado, pelo menos, 85% das doses recebidas
O caos na gestão da saúde municipal de Candeias, na Região Metropolitana a 46 km de Salvador, não tem limites nem precedentes.
Depois de demitir 50 médicos no início da pandemia (maio de 2020), fechar a Policlínica, trancar numa sala o aparelho de ultrassom e demitir 6 dos 7 ultrassonografistas, além de abandonar ao descaso os postos de saúde e, por omissão na gestão, impedir o fim da intervenção no Hospital José Mário dos Santos (Ouro Negro), o mais próximo desastre é Candeias não receber vacinas contra a covid-19 por não cumprir as metas da CIB (Comissão Intergestores Bipartite), instância deliberativa que reúne a Secretaria Estadual e as Secretarias Municipais de Saúde dos 417 municípios baianos.
De acordo com o site da Sesab, Candeias, que tem população estimada de 87.076 habitantes, recebeu até agora 57.918 doses, mas aplicou apenas 46.952 de vacinas, o que representa apenas 84,5%, 0,5% (29 doses) menos do que o mínimo de 85% determinado desde março deste ano. Fica claro a falta de empenho e esforço da gestão.
Posição vexatória
No ranking das cidades, Candeias – que tem um médico prefeito, uma ex-secretária de saúde assistente social – é o município colocado na 361ª posição, ou seja, estaria na 4ª divisão do trabalho em prol da população.
Vale ressaltar que, na Justiça Federal, processos apuram desvio de dinheiro para a aplicação na covid-19 como na compra de respiradores e mascaras. Ex e atual secretários de Saúde tiverem bens bloqueados e ‘visitas’ da Polícia Federal recentemente.
Resolução CIB
“Foi definido em reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), instância deliberativa que reúne representantes de todas as secretarias municipais de saúde e da secretaria da saúde do Estado, realizada em abril, e mantida, que apenas os municípios que tivessem utilizado 85% ou mais das primeiras doses da vacina contra a Covid-19 receberiam os imunizantes vindos na remessa que chega ao Estado.
Na decisão, tomada de forma colegiada, ficou pactuado que 50% das doses desses munícipios não elegíveis serão encaminhadas para as secretarias municipais de saúde que administraram 90% ou mais, para evitar interrupção da vacinação, e 50% serão direcionados para o Centro Estadual de Armazenamento e Distribuição – CEADI – para envio aos municípios à medida em que forem atingindo a meta de 85%.
A medida tem o objetivo de evitar que o estado fique com doses ociosas, acelerando a estratégia de imunização na Bahia.
Dos 417 municípios baianos, até as 17h de hoje, 359 apresentavam taxas com 85% ou mais, se tornando elegíveis para receberem nova remessa de vacinas. Os outros 58 estavam abaixo do estabelecido para que pudessem receber novo quantitativo de vacinas”.





