Desde a decisão do TCM (Tribunal de Contas da União) que alterou para mais o valor do repasse da Prefeitura, o que é lei, o autarca de Candeias (cidade que arrecadou em 2020 R$ 459 milhões) não repassa para a Câmara Municipal o valor devido. A diferença a menor é de R$ 302 mil por mês, que o secretário de Finanças, Camilo Pinto, que manda na Prefeitura, não autoriza o ajuste do repasse.
Isso tem provocado irritação não só na oposição, mas também na base – que não fala com receio de retaliação, uma prática comum da atual gestão contra quem se opõe ou contesta decisões mesmo irregulares ou ilegais.
Como forma de protesto, vários edis cobram do líder do prefeito, o vereador Gil Soares, que tentou, mas, por enquanto, nada conseguiu.
Esta semana, por exemplo, isso é quase impossível porque o autarca e a ‘prefeita ad hoc’, que decide o que é feito na Prefeitura está em viagem em cidades do Sertão baiano em busca de apoio para a candidatura de Soraia Cabral – a secretária da Saúde que responde a processo na Justiça federal por pagar mais de 100% (cem por cento) por respiradores inadequados para a covid em 2020. Ela, além do atual secretário de Saúde, Marcelo Cerqueira, a empresa Manupa (Manipulação Ultraplanejada) que vende equipamentos para veículos e foi a escolhida na licitação por ao invés de R$ 75 mil cobrou R$ 175 mil por cada respirador, que não foi usado, são parte do processo. Em recente entrevista disse que fez e faria de novo.
A primeira-dama, assim como os demais envolvidos, tiveram quase R$ 800 mil bloqueado pela Justiça Federal. Mas segundo ela, a Polícia Federal apenas fez uma vista na residência do casal, do secretário de Saúde, que morava em São Sebastião do Passé, e outras. A visita foi às 6h para café da manhã.
Dificuldade
Na região, em Madre de Deus, São Francisco do Conde e Sebastião do Passé, a pré-candidatura enfrenta rejeição porque, enquanto gestores de Candeias, ignoraram as lideranças de todas as essas cidades, e outras já têm candidatos.
Mesmo em Candeias as dificuldades são muitas. Vários vereadores da base serão obrigados a apoiarem outros candidatos. Além disso, por exemplo, o ex-prefeito Breno Conrad, de São Sebastião do Passé, deixou a Secretaria de Saúde de Candeias para não apoiar. Deve ser candidato. O assessor Uelinton Cruz também pediu demissão, assim como o irmão do prefeito, Carlos Ibiapina, que deve deixar a Secretaria de Meio Ambiente. Ele era pré-candidato a deputado estadual, mas foi escanteado pelo irmão e cunhada.
Em Marre de Deus, o apoio vai ser apenas do isolado ex-prefeito, Jéferson Andrade, cassado por irregulares na gestão da cidade.





