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Chuva deixa rastro de destruição no Sul da Bahia

by Yancey Cerqueira
27 de dezembro de 2021
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Chuva deixa rastro de destruição no Sul da Bahia

Foto: Reprodução

“Não ficou uma fralda sequer”, diz gestante que correu, com os três filhos menores, para se salvar da enxurrada que engoliu Itambé

O o fim de semana do Natal foi de tristeza para famílias de baixa renda de pelo menos 47 cidades das regiões Sul, Sudoeste e Extremo Sul da Bahia, por causa dos temporais que castigam o Estado. Em poucas horas, a dona de casa Karine Silva Santos, de 27 anos, perdeu tudo o que tinha. Ela é da cidade de Itambé, a 566 km de Salvador, onde a Prefeitura pediu que moradores deixassem as casas após o rompimento da barragem do Iguá. Grávida há 6 meses, e com outros três filhos menores, ela viu a casa e todos os pertences, incluindo os documentos, se desmancharem na forte chuva da madrugada do dia 24.

Segundo o prefeito Jose Cândido Rocha Araújo (PSD), foram 14 horas de precipitação ininterrupta, que deixou a cidade praticamente submersa. No Estado, o a chuva e as enchentes já causaram 18 mortes – a última foi de um idoso de 60 anos, cuja balsa virou em Aurelino Leal, também no sul baiano. Além disso, já são 72 cidades em situação de emergência e pelo menos 286 feridos. O total dos que perderam o teto já passa dos 15,4 mil.

Karine, uma das desabrigadas, chora ao constatar não ter para onde ir com os filhos. A perda dos brinquedos simples que daria a eles na noite de Natal e o enxoval que preparava para o bebê ainda por nascer. “Não ficou uma fralda sequer. É o período mais triste de minha vida. Nem sei em que condições meu filho vai nascer, no meio de toda essa tragédia que aconteceu com a gente”, conta.

A companheira de dor, Iracema de Jesus Souza dos Santos, 38 anos, também dona de casa, diz que chegou a imaginar estar sonhando ao sentir a cama balançar por causa da enxurrada que invadia rapidamente a casa. “Foi quando ouvi os vizinhos gritando que precisávamos sair correndo, passei a mão nas crianças e nem olhei pra trás. Saímos do jeito como estávamos. Tenho um bebê de 3 meses de nascido, que, por milagre de Deus, não se afogou, pois estava na cama comigo“, conta. “Hoje (domingo 26) voltei ao local para ver se conseguia salvar algo, mas, só encontrei lixo e entulho. Eu e minha família não temos mais nada, além da vida“.

Desempregada, Débora Santos Tamborim, de 25 anos, apesar de também ter resistido apenas com a roupa do corpo, juntamente com os três filhos pequenos, e a avó de 96 anos, ainda fala em sorte. “O povo aqui da cidade é muito bom, tem chegado doações de comida, água, leite para as crianças, algumas peças de roupa, e vamos nos virando. Aqui é um ajudando o outro para conseguimos sobreviver e passarmos por tudo isso. Só Deus e eles para terem misericórdia de nós”, comenta.

A jovem diz ver tragédias do tipo em outros locais, mas nem imaginava um dia estar na mesma situação. “É exatamente como as pessoas contam, é muito rápido, como num filme, quando você vê, já perdeu tudo, está tudo no chão“.

Em Itambé, até agora, 1.025 pessoas perderam tudo o que tinham, e não sabem por onde recomeçar. A previsão é de que a chuva, que começou em novembro, continue até 3 de janeiro. Na cidade, as precipitações já passaram de 900 milímetros. Os desabrigados estão alojados em escolas municipais e casas de parentes e amigos com apoio dos governos estadual e federal.

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