Depois de mudar o estatuto, Ricardo Lima, discípulo de Ednaldo Rodrigues, o que foi obrigado a renunciar à candidatura à CBF, renova mandato por unanimidade
Como disse o humorista e eleito deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, Tiririca, “Vote Tiririca, pior que tá não fica”, mas pode ficar e está ficando.
Desde o início dos anos 2000, quando o senhor Ednaldo Rodrigues assumiu a FBF (Federação Bahiana de Futebol) que a situação da Bahia, no mais popular esporte do Estado, vai de mal a pior. E a nova ‘aclamação’ foi como sempre: unânime.
E a tendência com a renovação de mais um mandato desastroso na FBF (Federação Bahiana do Fracasso) é despencar do abismo que está. Daquela primeira eleição até hoje, somente houve fracasso nas competições que a entidade é responsável pela tentativa de organizar.
No ranking da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), a Federação do Fracasso caiu da 5ª (quinta) para a 9ª (nona) posição, na situação anterior era até compreensível, afinal São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul são estados potencialmente maiores em muitos aspectos, principalmente econômico-financeiro, onde as empresas investem mais em propaganda e publicidade. Mas ficar atras do Paraná – 5, Ceará – 6, Goiás – 7, e Santa Catarina – 8, mostra o desastre e o fiasco que é gestão da entidade do futebol baiano.
No quadro de árbitros da CBF, a Bahia chegou a ter 5 na primeira divisão e caiu até para apenas um diante da inexistência de investimento da FBF na categoria perdendo para Alagoas, Pernambuco, Santa Catarina e Sergipe.
Além disso, até mesmo na segunda divisão, os antigos campeonatos estaduais de Acesso, perdeu por anos das competições de Alagoas e Sergipe, estados muito menores e com muito menos recursos do que a Bahia, na quantidade de equipes na disputa chegando a ter até mesmo 6 participantes contra 10 dos estados citados.
Assim como o mentor, que foi obrigado a se afastar da CBF evitando consequências judiciais depois de receber apoio do ministro Gilmar Mendes por anos e que o abandonou (Ednaldo foi retirado do cargo pelo TJ-RJ devido a, entre outros fatores, a anulação do acordo que legitimou sua eleição em 2023, foi obrigado desistir de recorrer ao STF – Supremo Tribunal Federal – para tentar voltar ao cargo, decidindo encerrar a disputa), Ricardo Lima criou o feudo e entra no 3º mandato quando não devia pelo então estatuto da entidade.
O período de Ednaldo na CBF resultou numa coleção de fracassos como derrotas seguidas da Seleção, a 1ª em casa nas Eliminatórias, 2 derrotas seguidas para seleções africanas e o voo de galinha, por enquanto, na Presidência. Estranho uma ação com o mesmo objeto passar por 2 ministros. Além disso, a pior campanha da história da seleção feminina em competições internacionais.
A manobra foi mudar o Estatuto da FBF às vésperas da eleição para que ele pudesse concorrer para permanecer na entidade. E a decisão na eleição foi por ‘unanimidade’ de Clubes e Ligas do Interior, essas têm maioria, e como dizia Nélson Rodrigues “toda unanimidade é burra”. Ele costumava usar essa expressão para criticar o consenso absoluto, sugerindo que, quando todos pensam da mesma maneira, ninguém está realmente pensando.
A receita da FBF é em torno de R$ 9 milhões por ano. Mais da metade fica no pagamento de salários de dirigentes, advogados e para publicidade, e os clubes, que efetivamente dão vida à entidade, recebem em troca migalhas e, se reclamarem, sofrem represálias, uma prática introduzida a partir de 2003.
Em 2007, um escândalo tomou conta do esporte baiano: o Caso Liédson quando a FBF manipulou as informações da declaração do atleta baiano que começou na Seleção de Valença e não no Poções, onde chegou aos 20 anos. O caso foi parar no MP que ajuizou ação, mas a juíza Marivalda Almeida Moutinho, hoje afastada por causa da ‘Operação Faroeste’ de venda de sentenças anos mais tarde, extinguiu o processo sem ao menos instruir. Contudo, o Tribunal de Justiça derrubou a sentença, mas o suposto crime prescreveu, porém a fraude está constatada. Ednaldo não foi absolvido nem condenado.
A imprensa se calou, silenciou. Quem não agiu assim, foi perseguido, como é o caso de D. Balbina, ex-funcionária da FBF, e os jornalistas Luiz Brito e Oscar Paris, processados, mas que continuam ganhando as ações na Justiça baiana contra o ditador hoje no obscurantismo do futebol brasileiro depois de chegar ao cume e despencar da pior forma possível.
Assim, a estagnação, o marasmo, o paradeiro e o caos do futebol baiano vai perdurar, como estamos na Educação (entre as 3 piores do Brasil), Saúde (Central da Regulação, conhecida como Central da Morte) e na Segurança Pública (estado mais violento do País, líder em assassinatos).
Yancey Cerqueira, D.c
Radialista, DRT/BA 006



