Escritório da família de Lewandowski não aparece em nenhum processo ligado ao Banco Master. Contrato rendeu R$ 2,6 milhões
Apesar do contrato milionário com o Banco Master, o escritório de advocacia do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski não aparece em nenhum processo relacionado à instituição financeira.
Como revelou a coluna de Andreza Matais, Lewandowski mantinha um contrato de consultoria jurídica no valor de R$ 250 mil mensais com o Master, firmado com o seu escritório. Esse acordo permaneceu vigente até setembro de 2025, durante parte do período em que Ricardo Lewandowski foi ministro do governo Lula.
O contrato estava em nome da Lewandowski Advocacia, escritório registrado em nome da esposa, Yara de Abreu Lewandowski, e de seu filho, Enrique de Abreu Lewandowski. Nenhum dos dois, contudo, atuou oficialmente como advogado em processos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro e a suas empresas.
No entanto, esse serviço parece não incluir a representação do Master perante autoridades do Poder Executivo.
Durante o período do contrato, a única reunião registrada de Enrique Lewandowski com alguma autoridade pública ocorreu em maio de 2024.
No dia 29 daquele mês, ele se encontrou com membros da AGU (Advocacia-Geral da União) para tratar de um processo em tramitação no STJ (Superior Tribunal de Justiça) sobre seguros habitacionais.
Não há qualquer menção ao Master no registro dessa reunião.
Yara possui inscrição na OAB de São Paulo e do Distrito Federal, mas sua atuação profissional é restrita a processos de natureza cível. Ela não possui processos registrados no Supremo Tribunal Federal.
Enrique, por sua vez, é mais ativo na advocacia. Além da sociedade com a mãe, ele também integra outro escritório em São Paulo e atua na defesa de grandes empresas.
Entre elas, estão o grupo Ducoco e a Integralmédica, empresa do setor de suplementos alimentares, que têm ações em tramitação no Supremo Tribunal Federal. Nenhuma dessas empresas possui relação com o Banco Master.
O contrato entre o Master e a Lewandowski Advocacia foi assinado em 28 de agosto de 2023, e os pagamentos prosseguiram até setembro de 2025, quando Lewandowski já estava no Ministério da Justiça havia 21 meses — ele assumiu o cargo em janeiro de 2024. O ex-ministro foi contratado após indicação do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Após a coluna revelar as relações de Lewandowski com Vorcaro e o envolvimento de Jaques Wagner no assunto, o governo Lula foi pressionado a mudar de estratégia em relação à instalação da CPI do Master. Deputados da base estão recolhendo assinaturas para a criação da comissão, em uma tentativa de deter o controle sobre ela, caso venha a ser instalada.
Fonte: Metrópoles





