Machado se tornou um símbolo de esperança, coragem e perseverança para milhões de venezuelanos mesmo sem concorrer a presidência
O Prêmio Nobel da Paz de 2025 foi concedido a Maria Corina Machado, líder da oposição da Venezuela. O Comitê Norueguês do Nobel, que organiza o prêmio, concedeu o prêmio a Machado “por seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia“.
A líder venezuelana se tornou o símbolo da luta por democracia na Venezuela, dominada pela ditadura de Nicolás Maduro e pela autoproclamada revolução socialista que Hugo Chávez, antecessor de Maduro, iniciou na virada do século.
Ela uniu e conduziu a oposição venezuelana na eleição presidencial de 2024. Machado e seus apoiadores criaram uma estratégia para burlar o controle chavista sobre as eleições, ao enviar milhares de voluntários para os centros de votação e conseguir as atas eleitorais que provariam a fraude nas urnas da ditadura de Maduro.
A líder da oposição da Venezuela foi elogiada por ser uma “figura-chave e unificadora em uma oposição política que antes era profundamente dividida — uma oposição que encontrou um ponto comum na demanda por eleições livres e governo representativo“, disse Jørgen Watne Frydnes, presidente do comitê norueguês do Nobel.
Histórico
Em 2023, María Corina Machado venceu as primárias da oposição com mais de 90% dos votos, mas foi impedida de disputar a presidência por decisão da Justiça, alinhada ao chavismo. Ela apoiou Edmundo González, que afirma ter vencido as eleições com 67% dos votos e divulgou as cópias dos registros de votação que corroboram a versão.
Apesar dos esforços da oposição, o chavismo proclamou a vitória de Nicolás Maduro, sem nunca apresentar os dados da votação. O ditador tomou posse para o terceiro mandato consecutivo, garantindo mais seis anos no Palácio de Miraflores. Com isso, pode chegar a 18 anos no poder, se perpetuando por mais tempo que o seu padrinho político Hugo Chávez.
O CNE (Conselho Nacional Eleitoral), controlado pelo chavismo, nunca publicou as atas das eleições, uma medida obrigatória e determinada pela legislação eleitoral do país. Os documentos não foram publicados pelo órgão sob a alegação de um ataque hacker. A oposição, liderada por María Corina Machado, denunciou fraude eleitoral e apresentou atas coletadas nos centros de votação que indicavam que o candidato Edmundo González Urrutia foi o verdadeiro vencedor.
Desde então, María Corina está escondida na Venezuela, de onde não quis fugir apesar da perseguição da ditadura chavista. As autoridades venezuelanas já acusaram María Corina de liderar conspirações contra Maduro; quase mil pessoas, incluindo dirigentes muito próximos a ela, foram detidas desde a eleição do ano passado. Machado convocou para “a organização clandestina” todas as estruturas dentro da Venezuela. “Assim como desobedecemos à tirania e os deixamos humilhantemente sozinhos ontem, nos preparamos para a ação cívica no dia em que for necessário“.
“No último ano, a Sra Machado foi forçada a viver escondida. Apesar das sérias ameaças à sua vida, ela permaneceu no país, uma escolha que inspirou milhões. Quando autoritários tomam o poder, é crucial reconhecer os corajosos defensores da liberdade que se levantam e resistem“, disse Frydnes, presidente do comitê norueguês do Nobel.
Fonte: Terra





