Líder nicaraguense afirmou que o período em que partidos apoiados por interesses estrangeiros governavam o país terminou
Daniel Ortega anunciou a suspensão definitiva da realização de eleições na Nicarágua, onde ocupa a Presidência há dezenove anos, desde 2007. O objetivo declarado da medida, anunciada esta semana, é evitar que a oposição tome o governo. Em pronunciamento oficial, o ditador afirmou que o período em que partidos apoiados por interesses estrangeiros governavam o país terminou e que esses grupos não retornarão ao poder. Aliás, Lula disse que eleição a cada 4 anos é prejudicial ao país. Qualquer semelhança é mera coincidência. A declaração do presidente Lula de que eleições a cada 4 ou 5 anos “não são mais suficientes” foi feita durante um reunião com líderes internacionais e representantes da sociedade civil no Chile, em julho de 2025. O mandatário falava sobre o fortalecimento e a defesa da democracia.
A medida reforça a estrutura de poder atual, na qual Ortega e sua mulher, Rosario Murillo — nomeada copresidente —, exercem a direção do Estado. Essa decisão marca a consolidação de seu controle sobre todas as esferas governamentais, incluindo o Judiciário e as Forças Armadas.
Ortega tem uma trajetória associada ao movimento de guerrilha de esquerda. Ainda na adolescência, ingressou na Frente Sandinista de Libertação Nacional para atuar contra a ditadura de Anastasio Somoza, cuja família governava o país desde 1936. Na década de 1960, ele deixou os estudos de Direito para se dedicar à atividade guerrilheira. Nesse período, participou do assalto a uma agência bancária em Manágua para financiar o movimento, o que resultou em sua prisão e no cumprimento de sete anos de prisão.
Após ser libertado em uma troca de reféns em 1974, deslocou-se para Cuba, onde treinou táticas de guerrilha, e retornou à Nicarágua para participar da guerra civil que levou os sandinistas ao poder em 1979.
Em 1984, após integrar a junta de reconstrução nacional, Ortega foi eleito presidente pela primeira vez. Seu mandato inicial ocorreu durante a Guerra Fria e foi marcado pelo conflito com os Contras, grupos financiados pelos Estados Unidos. O impacto da guerra e as sanções econômicas geraram dificuldades que contribuíram para a derrota nas urnas em 1990 para Violeta Chamorro.
Nos anos seguintes, ele perdeu as eleições de 1996 e 2001, período em que enfrentou acusações de estupro feitas por sua enteada, Zoilamérica Narváez. Ortega negou as acusações e evitou o julgamento invocando sua imunidade como membro do Congresso.
Em 2006, Ortega fez um retorno inesperado ao se afastar das raízes comunistas convictas, afirmando que buscaria investimentos estrangeiros para aliviar a pobreza generalizada. “Em uma campanha idealizada por sua mulher, as bandeiras sandinistas pretas e vermelhas foram amplamente substituídas por cartazes de campanha cor-de-rosa; o uniforme militar verde-oliva foi trocado por camisas brancas sem gola, e os slogans marxistas foram substituídos por um vago compromisso com “cristianismo, socialismo e solidariedade”.
Para atrair setores religiosos, Ortega apoiou a proibição total do aborto no país. Uma vez no cargo, o governo promoveu sucessivas reformas na Constituição e obteve decisões judiciais para eliminar os impedimentos à reeleição, permitindo que ele vencesse os pleitos de 2011, 2016 e 2021.
Fonte: R7



