Episódio aconteceu na sexta-feira em uma clínica na Vila Laura
O filho do médico ginecologista Hosaná Pereira de Santana, o pesquisador Hosanah Filho, divulgou uma nota de esclarecimento sobre o que chamou de “grave episódio de injustiça” vivido por seu pai. O médico foi preso na última sexta-feira, 10/7, suspeito de gravar uma paciente durante uma consulta em uma clínica na Vila Laura. Ele foi solto no domingo, 12, depois da audiência de custódia.
Na nota, o pesquisador Hosanah Filho, que é mestre e doutorando em Ciências Sociais pela Ufba (Universidade Federal da Bahia) disse que o pai nunca cometeu nenhum ato ilícito. Segundo ele, o objeto que gerou a confusão foram os óculos da Meta do médico, utilizados diariamente por terem lentes de grau.
Ele diz que os óculos têm um funcionamento específico e transparente: o dispositivo só realiza qualquer gravação se for ativado manualmente pelo usuário. Ainda de acordo com o pesquisador, a câmera não é escondida e o comando de gravação emite uma luz semelhante a um flash quando acionado e que notifica as pessoas ao redor.
“Esse sinal luminoso nunca foi emitido durante suas consultas, pois, como confirmado pela Justiça, não existe nenhuma gravação. O que ocorreu foi um enorme mal-entendido, tragicamente distorcido e propagado como verdade absoluta”, escreveu.
Ele afirma que, desde o momento, o pai colaborou com as autoridades e entregou seus aparelhos eletrônicos. “Ainda assim, foram atribuídas a ele uma suposta confissão que JAMAIS EXISTIU, criando uma narrativa falsa e muito danosa. Hoje, recebemos a confirmação da Justiça: o flagrante foi reconhecido como ilegal por absoluta ausência de provas. A suposta gravação nunca existiu“, acrescentou.
Hosanah Filho ainda divulgou um vídeo em que diversos médicos anunciam seu apoio e manifestam solidariedade ao colega. “Recebemos com profunda indignação a forma como vêm sendo divulgadas notícias envolvendo o nosso colega, com julgamentos públicos precipitados antes da conclusão das investigações”, disse um médico, nas imagens. “Em cerca de 20 anos o doutor Hosaná construiu uma carreira sólida, ética, pautada nas boas práticas médicas, nas boas práticas assistenciais e nunca houve absolutamente nada que maculasse sua vida profissional”, acrescentou outra colega.
Luz de LED
No site da RayBan, os óculos Meta com inteligência artificial custam entre R$3.499 e R$3.989. Já o site da Meta explica que os óculos com IA devem ser pareados com um smartphone compatível e que conta com recursos como captura e compartilhamento de mídia, ligações e mensagens, ouvir áudio no Spotify e apps conectados e usar a Meta AI para responder perguntas, entre outros.
A Meta orienta, em um guia para gravações, que os vídeos devem ser feitos pressionando o botão de captura “até acenderam os LEDs brancos“. Ao interromper a gravação, o LED também é desligado.
A nota divulgada por Hosanah Pereira de Santana Filho na íntegra:
“Venho me manifestar sobre o grave episódio de injustiça que meu pai enfrentou nos últimos dias. Como muitos acompanharam, ele foi alvo de acusações infundadas por parte de uma imprensa que, lamentavelmente, priorizou o sensacionalismo em vez da apuração responsável dos fatos.
É fundamental esclarecer que meu pai jamais cometeu qualquer ato ilícito. O objeto que gerou toda a confusão foram seus óculos da Meta, que ele utiliza diariamente por possuírem lentes de grau. É importante pontuar que esses óculos possuem um funcionamento específico e transparente: o dispositivo só realiza qualquer gravação se for ativado manualmente pelo usuário. Além disso, a câmera não é escondida e, quando o comando de gravação é acionado, o aparelho emite uma luz indicativa clara e visível — similar a um flash — que notifica qualquer pessoa ao redor. Esse sinal luminoso nunca foi emitido durante suas consultas, pois, como confirmado pela Justiça, não existe nenhuma gravação. O que ocorreu foi um enorme mal-entendido, tragicamente distorcido e propagado como verdade absoluta.
Desde o primeiro momento, meu pai colaborou integralmente com as autoridades, entregando seus dispositivos eletrônicos e senhas, demonstrando total transparência. Ainda assim, foram atribuídas a ele uma suposta confissão que JAMAIS EXISTIU, criando uma narrativa falsa e muito danosa.
Hoje, recebemos a confirmação da Justiça: o flagrante foi reconhecido como ilegal por absoluta ausência de provas. A suposta gravação nunca existiu. Em mais de 30 anos de carreira, meu pai pautou sua conduta pelo respeito ético e pelo cuidado com cada pessoa que passou pelo seu consultório.
Não podemos permitir que a “justiça da internet”, que condena sem o devido processo legal, destrua uma vida de dedicação. Seguimos empenhados em esclarecer a verdade e responsabilizar aqueles que contribuíram para este circo midiático.
O apoio, a solidariedade e as mensagens de carinho que temos recebido são o que nos mantém firmes. A confiança de vocês é a prova maior da conduta impecável dele ao longo de décadas.
Seguimos com a consciência tranquila e o compromisso inabalável com a verdade”.
Fonte: Correio da Bahia



