“Se dependesse só da gente, nós faríamos mais rápido”, disse o ministro, em entrevista. Durigan também criticou as propostas de Flávio Bolsonaro (PL) para a economia. Esquece o jurista, que o Brasil arrecadou como nunca e gastou como sempre
O ministro da Fazenda, o advogado Dario Durigan, comentou a trajetória da dívida pública e as dificuldades do governo federal para manter as contas em dia, em um cenário de juros elevados e crédito mais restrito. Em entrevista à GloboNews nesta sexta-feira, 21/8, o chefe da pasta afirmou que, se dependesse apenas da equipe econômica, o superavit nas contas da União seria alcançado “mais rápido”. Ao comentar as dificuldades para avançar com o ajuste fiscal, Durigan citou entraves no Congresso Nacional.
Um dos episódios mencionados pelo ministro foi o imbróglio de 2023, quando o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tentou aprovar uma medida provisória para regulamentar a inclusão de subvenções estaduais na base de cálculo de tributos federais. Na época, o Congresso rejeitou as alterações propostas pelo governo, sob o argumento de que as mudanças resultariam em aumento da carga tributária, e não apenas em uma correção da legislação.
Por conta disso, o ministro da Fazenda disse que o governo também atuou para evitar a aprovação de “pautas-bomba” no Legislativo. Segundo ele, embora o trabalho para corrigir a situação fiscal não seja o ideal, seria melhor do que o proposto pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL). Sem citar o nome do opositor, afirmou que o projeto do senador representaria um “desfazimento de confiança” e uma “perda de credibilidade”.
Ainda no contexto das eleições, o ministro afirmou que, em caso de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a equipe do petista deverá “cuidar da economia todo dia”. Segundo Durigan, a Fazenda também deverá manter o diálogo com o Congresso Nacional para retirar subsídios e outras “bombas” fiscais.
O ministro também não confirmou, durante a entrevista, se o governo federal pretende apresentar uma proposta para reduzir de 2,5% para 1,5% o limite de crescimento das despesas obrigatórias a partir do próximo ano. “Não vou cravar número. Nós vamos cravar uma trajetória de sustentabilidade, com redução da dívida no longo prazo”, disse Durigan.
No Projeto de Lei Complementar (PLP) dos Combustíveis, que prevê um subsídio para o etanol em caso de perda de competitividade em relação à gasolina, o governo incluiu um dispositivo para limitar o crescimento das despesas obrigatórias. Segundo a Fazenda, a medida deve abrir um espaço de R$ 10 bilhões nas contas da União.
O ministro afirmou, ainda, que o governo não discute desvincular o salário mínimo dos benefícios previdenciários e sociais. Segundo Durigan, o governo deverá se comprometer a buscar a redução dos juros em um eventual quarto mandato de Lula, a partir de 2027. “O que está sob o nosso controle é seguir melhorando o fiscal”, destacou o chefe da pasta.
Fonte: Correio Braziliense



