O pedido do Ministério Público para torcida única nos BAVIs parece não se sustentar no Estado mais violento das 27 unidades da federação
Há anos as torcidas de Bahia e Vitória, entre as 3 maiores do Nordeste brasileiro, estão privadas de assistiram o clássico ao mesmo tempo com história de 70 anos (diz-se que o início da rivalidade teria começado em 1955) por uma ‘recomendação do Ministério Público da Bahia’ alegando que poderia haver episódios de violência, o que dificilmente ocorre dentro e nas proximidades dos estádios (Fonte Nova ou Manoel Barradas).
A Bahia é o Estado mais violento das 27 unidades do País – em 2025 foram 3,9 mil assassinatos ou mortes por ação letal de outro ser humano, ou 325 por mês e quase 11 por dia) e a responsabilidade por manter a segurança pública é do Governo do Estado, que pode fazer parcerias com entidades, órgãos municipais e federais. O número de assassinatos na Bahia já ultrapassou 7 mil (4 a 5 anos atrás), segundo a ONG Observatório de Segurança Pública.
Partindo dessa triste constatação, como pouco mais de 2 horas alguém é morto na Bahia, deveriam também pedir para que as pessoas não saiam de casa porque correm risco.
Recomendação
Desde um dos últimos acontecimentos em 2017, nas proximidades dos Barris no fim do dique do Tororó quando um torcedor foi morto, que o MPE (Ministério Público da Bahia) mantém a recomendação de que os clássicos sejam com ‘torcida única’, destoando de parte dos outros órgãos em alguns estados, onde já se vê grandes jogos locais com a presença de ambas as torcidas. O caso citado teria sido em razão de uma rixa entre os envolvidos e não em razão de serem torcedores de times rivais.
Em 2019, outro torcedor, 28 anos, que era investigado por suspeita de envolvimento na morte de um torcedor do Esporte Clube Bahia de 17 anos, no ano de 2017, foi assassinado a tiros, no bairro de Castelo Branco, em Salvador, portanto, longe do local da partida.
O autor chegou a ser preso pela suspeita de envolvimento na morte do torcedor do Bahia, assassinado após uma partida entre Bahia e Vitória, mas teve a prisão revogada pela Justiça. Estudante de direito ele negou envolvimento no crime.
A partir de então, em todos os jogos da dupla Bahia e Vitória, o MPE recomenda, pois não tem poder de decisão – impor – e apenas fiscalizar cumprimento de leis, que os clássicos sejam com apenas uma torcida: quando mando for Tricolor, apenas torcedores do Bahia; quando for o Vitória, apenas rubro-negros.
A orientação do MPE parece ir no caminho da presunção de que ‘algo vai acontecer de um ruim durante ou depois da partida próximo do estádio” e, em resumo, tira parte do brilho do espetáculo. Imaginem o Vitória ser campeão e não ter um torcedor na Fonte Nova ou o Bahia campeão no Manoel Barradas sem ninguém na torcida vestindo de azul, vermelho e branco?
FBF x Clubes
A partir das recomendações, a omissa FBF (Federação Bahiana de Futebol) em comum acordo com os clubes (Bahia e Vitória) decide que vai seguir a recomendação do MPE e não questionam nem permitem a presença de torcedores dos times no mesmo jogo. Aliás, a FBF e os clubes podem mudar a posição, porém, jamais contrariam pedidos do Estado, do Município e muito menos de órgãos como o MPE, Polícia Militar e Polícia Civil em atitudes de ‘submissão’, mas a FBF não segue regras nem leis como é o Caso Liédson – declaração cheia de inverdades que não foi adiante porque a juíza Marinalva Moitinho Almeida – hoje afastada pela Operação Faroeste por suposta venda de sentença – nem sequer instruiu o processo e absolveu o então mandatário da FBF. Houve recuso do MPE, mas prescreveu sem condenação nem absolvição.
O MPE deve agir também veementemente contra a insegurança, a violência, péssimas condições na Educação estadual e também e as deficiências na Saúde, direitos dos cidadãos.
Segurança
A segurança em qualquer estado brasileiro é de responsabilidade, no nosso caso, do governo baiano por meio das forças policiais – PM (Polícia Militar) responsável pelo policiamento em eventos públicos e em todas as áreas e PC (Polícia Civil) que faz investigação, além da PRE (Polícia Rodoviária Estadual) pela segurança nas rodovias estaduais.
E não falta experiência nem vivência ao Governo do Estado nas ações de prevenção, afinal, realizamos o maior carnaval de rua do Mundo e com poucas ou nenhuma ocorrência letal.
Imprensa
Em relação à crônica esportiva (imprensa), a não unidade e falta persistência de contestar nessa reativação de duas torcidas no BAVI parece contribuir. As vozes são isoladas e as manifestações que praticamente não envolve as grandes massas tricolores e rubro-negras.
Fraqueza
A privação de uma das torcidas nos clássicos mostra fraqueza da FBF, submissão dos Clubes e inapetência do Estado que tem a obrigação de dar segurança em todo território baiano.
O portal solicitou manifestação do MPE e aguarda resposta.



